O cenário de 2025 fechou um recado incômodo para quem opera transporte no Brasil. Para as transportadoras, os valores praticados não têm sido suficientes para compensar a elevação dos custos operacionais: as despesas aumentaram entre 2023 e 2024, mas não houve repasse para os preços de frete ou o repasse feito não foi suficiente para compensar o aumento dos custos. Em paralelo, o país passou a transportar 25% mais carga sem ampliar a infraestrutura no mesmo ritmo, com expectativa de recorde histórico de movimentação — 2,1 trilhões de toneladas-quilômetro útil, 2,6% acima de 2024.
Traduzindo para a operação: mais volume rodando, custo unitário subindo e frete parado. A conta não fecha reordenando paradas. Ela fecha — ou não — no desenho da rede.
O frete travou. O custo, não.
Quando havia folga de tarifa, dava para absorver uma malha subótima: um hub a mais, um trecho que deveria ir direto e ia consolidado, uma frota mal dimensionada. Essa folga acabou. Nos Estados Unidos, os custos logísticos equivaleram a 8,8% do PIB em 2024 — e mesmo acima dos níveis pré-pandemia, o percentual permanece abaixo do brasileiro. O Brasil roda estruturalmente mais caro, e o repasse via preço deixou de ser a saída.
Sobra o outro lado da equação: o custo total. E o maior componente controlável do TCO na carga fracionada não é a sequência de entrega — é a estrutura por onde a carga passa antes de chegar à última milha.
Roteirizar dentro da malha errada não resolve
Roteirizadores otimizam a sequência das paradas dentro de uma malha que já existe. É trabalho legítimo e necessário. Mas ele opera a jusante de uma decisão que quase nunca é revisada: quantos hubs, onde ficam, o que vai direto e qual frota atende cada trecho.
Se essa camada está mal desenhada, a melhor roteirização do mundo apenas torna eficiente um percurso que não deveria existir. É otimizar o movimento sem discutir a estrutura. O ganho grande — o que muda o TCO, não o KPI do dia — está em separar middle-mile e last-mile e tratar cada um pelo seu custo real: pernoite, densidade, janela, ocupação de veículo, ponto ótimo de consolidação.
A pulverização do setor é o argumento a favor do redesenho
O mercado brasileiro de fracionada é fragmentado por natureza. Os Transportadores Autônomos de Cargas representam cerca de 73% dos operadores, mas concentram apenas um terço da frota. Isso significa capacidade dispersa, difícil de contratar e de programar — exatamente o tipo de restrição que precisa entrar na decisão de malha, e não ser descoberta na hora de despachar.
Ao mesmo tempo, o vetor de crescimento reforça a lógica hub-and-spoke: o transporte de cargas fracionadas registrou crescimento expressivo em 2024 , e a interiorização dos polos industriais e agroindustriais leva à criação de novos centros de distribuição voltados à consolidação. Mais pontos de consolidação possíveis é mais decisão de estrutura a tomar — e mais dinheiro parado numa malha herdada que ninguém recalculou.
O que decidir antes de otimizar o movimento
A ordem importa. Antes de mexer na sequência de paradas, valem as perguntas de estrutura:
- Quantos hubs a malha realmente sustenta, dado o volume e a densidade atuais?
- Onde fica o ponto ótimo de cada hub de distribuição?
- O que vai direto e o que compensa consolidar?
- Qual frota para o middle-mile e qual para o last-mile, considerando pernoite e janela?
Essas respostas não saem de intuição — saem do histórico de entregas que a operação já tem. É a partir dele que dá para simular o TCO de middle-mile e last-mile separados, clusterizar a demanda e comparar cenários de rede antes de comprometer ativo. Foi para essa camada que o HubRouter nasceu, dentro de uma operação real de carga fracionada: decidir a malha primeiro, e rodar a roteirização do dia a dia dentro dela.
Perguntas frequentes
Isso substitui meu roteirizador?
Não. Roteirização é uma parte do problema — a sequência das paradas dentro de uma malha. O planejamento de malha é a camada anterior: define a própria malha (hubs, diretos, frota) sobre a qual a roteirização depois opera.
É um TMS?
Não. O TMS faz a gestão da operação — documentos, frota, financeiro. O planejamento de malha decide o desenho da rede e simula o TCO. São complementares.
Preciso trocar de sistema para começar?
Não. O ponto de partida é o histórico de entregas que a empresa já possui; a partir dele se monta a simulação de cenários da rede.
Enquanto o frete não subir, o resultado vem de onde a carga passa, não só de como ela é sequenciada. Redesenhar a malha é a alavanca que sobrou — e a única que age sobre o TCO, não sobre a tarifa. Se a sua rede foi montada num tempo de tarifa folgada e nunca foi recalculada, o caminho é rodar um cenário da sua malha a partir do seu próprio histórico de entregas e ver onde está o ponto ótimo hoje.